8 de fevereiro de 2015

Mãe recém-nascida

Como ajudar as mulheres, e seus bebês, no delicado início de suas vidas em comum

Foto: Cerca de 20 a 30% das mulheres sofrem de depressão pós parto no Brasil
Cerca de 20 a 30% das mulheres sofrem de depressão pós-parto no Brasil
Um conhecido provérbio africano diz: "É preciso uma vila inteira para cuidar de uma criança." Pois nos últimos anos, uma série de pesquisas científicas têm comprovado que ele está absolutamente correto. Em Pelotas, no Brasil, um grande estudo conseguiu detectar os fatores que levam a um maior risco de atraso no desenvolvimento das crianças: baixa renda, mãe com pouca escolaridade, nascimentos prematuros e crianças cujas mães estão sozinhas ou sofrem de depressão pós o parto.

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"Ou seja: quanto mais desamparada está a mãe, tanto no sentido econômico como em relação a ter um suporte da família ou acesso a boa informação, maior é o risco para a criança", conta a professora Alicia Matijasevich, pediatra, neonatologista e professora do departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, que participa do estudo. Por enquanto, uma a cada cinco crianças tem suspeitas de atraso no desenvolvimento.

Se essa a mãe não conta com a ‘vila’ - que no caso do Brasil está representada tanto por políticas públicas que possam dar apoio à mãe quanto pela própria estrutura familiar para ajudá-la na tarefa de criar esse o bebê - maiores são as chances de que a criança não desenvolva todo o seu potencial.

Quando a tristeza nos atinge 

Os estudos mostram que a depressão pós-parto longa ou recorrente é o maior fator de risco no desenvolvimento de bebês e crianças. Filhos de mães deprimidas têm uma maior chance de apresentar não só problemas de desenvolvimento ao longo da primeira infância como transtornos psiquiátricos no futuro.

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"No Brasil, culturalmente, a maternidade e o nascimento estão associados somente a realização, felicidade, alegria. Muitas mulheres se sentem envergonhadas, inadequadas por experimentar tristeza ou desânimo", diz a psiquiatra Sandra Petresco, que também participa da pesquisa. Pois não deveriam.

Os números mostram que 20 a 30% das mulheres sofrem de depressão pós-parto no Brasil. É um problema frequente, e bastante ignorado. "Nem os médicos incluem, em suas consultas de rotina, perguntas sobre o estado de ânimo da mãe", alerta Alicia. Pois deveriam.

A quantidade de adaptações e mudanças que um bebê traz é avassaladora. E, por mais que se tenha escolhido a maternidade e se esteja disposta a construí-la, o percurso não é exatamente como as propagandas de margarina querem fazer crer. "Muitas mulheres experimentam o que se chama "blues": uma tristeza, um sentimento de insegurança e incerteza que costuma durar de 5 a 7 dias após o nascimento", diz Sandra.

O sinal amarelo deve acender quando os sintomas do "blues" se acentuam ou se prolongam por tempo demais, comprometendo os cuidados da mãe consigo mesma ou com o bebê. Condutas como alimentar-se mal, dormir demais, trocar o dia pela noite ou não conseguir estabelecer contato com o bebê, não dar conta dos cuidados mínimos para com ele ou consigo deveriam soar um alerta e acionar ajuda para essa mãe. 

"Existe um componente genético na depressão pós parto, assim como na depressão. Mas alguns dos gatilhos que fazem a doença aflorar são justamente situações de desamparo: mães solteiras, mães migrantes longe da família, mães em crise conjugal, mulheres sem dinheiro, sem trabalho ou com baixa escolaridade", explica Sandra.

A grande questão é que embora a nossa "vila" nos treine para várias funções, como o trabalho, a cidadania, o exercício da política, não existe nenhuma "escola" para que nos tornemos bons pais e mães. Contamos apenas com os modelos de nossas próprias famílias - que não necessariamente são os melhores. "Se ver sozinha, desamparada e com um bebê totalmente dependente é muito difícil. A maternidade não é algo 100% natural. É preciso cuidar dessa mãe que inicia sua caminhada", diz Sandra. Veja, a seguir, algumas ações para ajudar nesse sentido.

FONTE: /educarparacrescer.abril.com.br/cuidar bem de você mesm

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