25 de agosto de 2013

Médicos do país avisam: Dilma vai receber troco nas urnas

Importar médicos cubanos foi a gota d’água para as entidades que defendem os interesses dos médicos brasileiros. Em entrevista à EXAME.com, vice-presidente do CFM garante que haverá troco nas urnas

Valter Campanato/ABr
Profissionais da saúde fazem protestos contra o Mais Médicos em Brasília
Profissionais da medicina fazem protestos em frente ao Planalto: CFM diz que danos eleitorais não ficarão restrito aos médicos, mas chegarão aos pacientes

São Paulo – Nada vindo do governo de Dilma Rousseff parece mais surpreender as associações de médicos brasileiras. Uma guerra já havia sido declarada há semanas, mas na última segunda o divórcio foi efetivamente consumado: o Ministério da Saúde anunciou a importação de quatro mil médicos cubanos
“A categoria dará resposta nas urnas às pessoas que não assumem aquilo que está inserido na Carta Magna do Brasil”, disse em entrevista à EXAME.com o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital.
Ele promete que o dano pode não ficar restrito aos 400 mil médicos brasileiros, já que os profissionais estão passando a seus pacientes as "agressões de que estão sendo vitimas".
Os médicos de Cuba começaram a chegar ontem ao país, adotando o discurso da não competição. Toda a primeira leva, de 400 profissionais, deve aterrissar ainda neste fim de semana.
O CFM e demais entidades de classe são contra a importação de médicos sem revalidação do diploma, não importa a origem. O problema extra para Cuba, alegam, é que ainda há características de trabalho escravo. Os profissionais recebem apenas uma parcela do valor pago pelo governo brasileiro. O governo cubano fica com a outra parcela.
Confira a entrevista com o vice-presidente do CFM, que chama o programa de "Maus Médicos" e acusa o governo de estar ganhando seis mil cabos eleitorais para a campanha de 2014.
EXAME.com - Qual o principal problema na importação dos médicos cubanos?
Carlos Vital -
 Na Venezuela, a importação de médicos cubanos foi feita em troca de algo em torno de 150 mil barris diários de petróleo para pagar esse caráter de exportação de Cuba. Os médicos são exportados dentro de contratos draconianos, onde o pagamento é feito ao governo cubano e apenas uma pequena margem chega ao médico, que não tem possibilidade de ir ou não ir. Eles deixam família em Cuba, submetendo-se a preços incompatíveis com o serviço que vão prestar. E ficam sob a supervisão de pessoas destacadas do governo cubano para observar o cumprimento dessas regras. Esses médicos saem com compromisso de obedecer a regras estatutárias.
EXAME.com - E qual seria a diferença entre importar profissionais cubanos ou espanhóis e portugueses, como na primeira etapa do Mais Médicos?
Vital –
 A de médicos cubanos torna-se mais grave face a essas caraterísticas de trabalho escravo. Nos outros casos, eles vêm sem passar pelo crivo de avaliação de qualificações e competências, um desrespeito à nossa legislação e uma afronta à saúde. Não há revalidação desses diplomas. Não há prova de proficiência da língua, nem da legislação do Brasil. É uma medida improvisada.
EXAME.com - No ano que vem, como o sr. acredita que a categoria vai votar?
Vital -
 A categoria dará resposta nas urnas às pessoas que não assumem aquilo que está inserido na Carta Magna do Brasil. Não se está respeitando a dignidade do povo com esse tipo de política, sobretudo o mais dependente da saúde publica. O médico brasileiro fará e já está fazendo a conscientização dos pacientes dele desde já, das agressões de que eles estão sendo vitimas.
EXAME.com – Haveria uma pesquisa  para saber quantos dos 400 mil médicos brasileiros estão unidos contra essa vinda de estrangeiros?
Vital -
 Você vai encontrar médicos que são até militantes, que estão dentro do governo. Em termos absolutos, não sei dizer. Mas em termos de representação, é apenas episódico, pouquíssimo. De maneira genérica, posso afirmar que os 400 mil estão contra este tipo de medidas eleitoreiras.

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